AS RUAS TÊM ALMA
REFLEXÕES ARRUACEIRA-JURÍDICO-ESPACIAL EM "QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA"
Resumo
Este artigo propõe uma leitura decolonial da obra Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, a partir da articulação entre Direito, Literatura e Território. O objetivo é construir uma chave analítica arruaceira e epistêmica que evidencie a favela como território simbólico de resistência. Utiliza-se metodologia qualitativa, com revisão bibliográfica interdisciplinar. A análise identifica na escrita de Carolina uma prática de saberes populares que desafiam a gramática jurídica colonial. Como resultado, evidencia-se que a literatura periférica pode reencantar o Direito, deslocando seus sentidos normativos. Conclui-se que arruaçar o pensamento é uma estratégia de insurgência e criação, forjando um Direito sensível às vozes e espaços