Nem Hamlet, nem Fausto: o amor fati de Dom Quixote no antiliberalismo de Francisco Campos

Autores

  • Wilton Bisi Leonel Faculdade de Direito de Vitória (FDV)
  • Nelson Camatta Moreira Faculdade de Direito de Vitória (FDV) - Espírito Santo, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.21119/anamps.52.565-585

Palavras-chave:

FrancFrancisco Campos, antiliberalismo schmittiano, Dom Quixote.

Resumo

Francisco Campos vale-se do clássico Dom Quixote de la Mancha para diagnosticar, no ensaio Atualidade de D. Quixote a crise espiritual do tempo moderno e o sentimento de desespero experimentado pelo homem. Três figuras emblemáticas da literatura aparecem na narrativa campiana: Hamlet, Fausto e D. Quixote. Hamlet e Fausto representam a indecisão covarde e a literatura e a arte herméticas dos intelectuais liberais, que não conseguem comunicar experiências coletivas e engendrar uma ordem social estável, oportunizando a contundente crítica de Campos, num viés antiliberal schmittiano, às ideias e às instituições liberais. Urge revitalizar o espírito de D. Quixote, que, com seu amor fati (amor ao destino comum), decide como um Estadista “transformar pensamento em vontade e vontade em ação”, na árdua tarefa civilizatória de elevar a massa em povo, obediente, civilizado e irmanado numa ordem superior comum (o Estado Nacional), orientado pelos valores católicos, e disposto a lutar contra o inimigo. Só é possível salvar a democracia do “cataclismo” caso se aceite a convocação para a derradeira Cruzada. Daí a Atualidade de D. Quixote. Este artigo pretende realizar um esforço interpretativo de Atualidade de D. Quixote, a fim de evidenciar alguns aspectos do pensamento político e constitucional antiliberal campiano.

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Biografia do Autor

Wilton Bisi Leonel, Faculdade de Direito de Vitória (FDV)

Doutor em Direito e Garantias Fundamenatis pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV). Professor do Curso de Graduaçao em Direito (FDV e UFF). Membro do GP CNPq-FDV Teoria Critica do Constitucioanlismo.

Nelson Camatta Moreira, Faculdade de Direito de Vitória (FDV) - Espírito Santo, Brasil

Pós-doutor em Direito pela Universidad de Sevilla (bolsa CAPES). Pós-doutor em Direito em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Doutor em Direito pela Unisinos, com estágio anual na Universidade de Coimbra (bolsa CAPES). Mestre em Direito pela Unisinos (bolsa CAPES). Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (doutorado e mestrado) e da graduação em Direito da Faculdade de Direito de Vitória (FDV-ES). Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Teoria Crítica do Constitucionalismo, da FDV. Membro do Grupo de Pesquisa CNPq Hermenêutica Jurídica e Jurisdição Constitucional, da FDV-ES. Profesor Invitado, adjunto al Programa Academic Visitor de la Facultad de Derecho de la Universidad de Sevilla. Miembro del Grupo de Investigación Antagónicos de la Facultad de Derecho de la Universidad de Sevilla. Colaborador en Seminarios con la Cátedra Abierta de Derecho y Literatura de la Universidad de Málaga. Membro Honorário e Vice-presidente da Rede Brasileira Direito e Literatura (RDL). Ex-diretor da Escola Superior de Advocacia do Espírito Santo (OAB-ESA/ES), triênio 2010-2012. Ex-professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Ex-coordenador adjunto do IPA-Metodista (IPA-RS), 2005. Tem experiência em gestão de curso acadêmico e no Direito, com ênfase em Direito Público, especialmente nos seguintes temas: Direito Constitucional, Direitos Fundamentais, Hermenêutica, Filosofia do Direito e Direito e Literatura.

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Publicado

2019-12-17

Como Citar

LEONEL, Wilton Bisi; MOREIRA, Nelson Camatta. Nem Hamlet, nem Fausto: o amor fati de Dom Quixote no antiliberalismo de Francisco Campos. ANAMORPHOSIS - Revista Internacional de Direito e Literatura, Porto Alegre, v. 5, n. 2, p. 565–585, 2019. DOI: 10.21119/anamps.52.565-585. Disponível em: https://rdl.emnuvens.com.br/anamps/article/view/494. Acesso em: 4 maio. 2026.

Edição

Seção

Artigos