Nem Hamlet, nem Fausto: o amor fati de Dom Quixote no antiliberalismo de Francisco Campos
DOI:
https://doi.org/10.21119/anamps.52.565-585Palavras-chave:
FrancFrancisco Campos, antiliberalismo schmittiano, Dom Quixote.Resumo
Francisco Campos vale-se do clássico Dom Quixote de la Mancha para diagnosticar, no ensaio Atualidade de D. Quixote a crise espiritual do tempo moderno e o sentimento de desespero experimentado pelo homem. Três figuras emblemáticas da literatura aparecem na narrativa campiana: Hamlet, Fausto e D. Quixote. Hamlet e Fausto representam a indecisão covarde e a literatura e a arte herméticas dos intelectuais liberais, que não conseguem comunicar experiências coletivas e engendrar uma ordem social estável, oportunizando a contundente crítica de Campos, num viés antiliberal schmittiano, às ideias e às instituições liberais. Urge revitalizar o espírito de D. Quixote, que, com seu amor fati (amor ao destino comum), decide como um Estadista “transformar pensamento em vontade e vontade em ação”, na árdua tarefa civilizatória de elevar a massa em povo, obediente, civilizado e irmanado numa ordem superior comum (o Estado Nacional), orientado pelos valores católicos, e disposto a lutar contra o inimigo. Só é possível salvar a democracia do “cataclismo” caso se aceite a convocação para a derradeira Cruzada. Daí a Atualidade de D. Quixote. Este artigo pretende realizar um esforço interpretativo de Atualidade de D. Quixote, a fim de evidenciar alguns aspectos do pensamento político e constitucional antiliberal campiano.
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